OVNI

A OVNI é uma editora independente que pousou no Entroncamento. Como qualquer óvni, a chegada furtiva, sem anúncio, procura dissimular um objectivo: tomar o mundo. Mas, para sermos honestos, temo-nos concentrado apenas em mudá-lo.

E porquê fazer isso com livros? Porque gostamos de livros. Gostamos de os ler. Gostamos de os oferecer. Gostamos de os desenvolver. E gostamos de os vender.

Não é verdade que editamos os livros que gostamos de ler. Porque não temos condições de editar tudo aquilo que gostamos de ler. E alguns desses livros já estão editados. De momento parece-nos pouco provável, contudo, que venhamos a editar livros que não gostemos de ler.

Isso também concorre para que tenhamos alguma dificuldade em arrumar os nossos livros, guardá-los, bem comportados, em colecções. Porque nos dedicamos de forma muito pessoal a cada livro, que entendemos como um objecto singular. É mais fácil fazê-lo dispensando as colecções.

Olhar o livro por esse prisma exige-nos também um cuidado com a imagem, na construção desse objecto singular enquanto suporte aprazível, que dá gosto manusear, transportar. Que entusiasma. Procuramos que haja uma unidade entre a apresentação física do livro e as palavras que ele suporta, porque a forma não está separada do conteúdo. O texto não existe por si só quando lhe chamamos livro.

Que texto? Procuramos editar contos, ainda que não nos cinjamos aos contos. Isto tem claramente a ver com um gosto pessoal, mas também porque nos parece haver espaço no panorama editorial para um projecto deste tipo. Para o conto nas vertentes menos exploradas na língua portuguesa, nomeadamente o microconto. E procuramos editar autores que se destacam pela sua entrega a este género. Uma maneira de contribuir para o desenvolvimento desta forma literária.

Porquê a minificção? A minificção é muitas vezes considerada uma forma menor, confundida com simplicidade ou esboço. Mas quem se dedica à minificção, como criador ou como leitor, sabe que nada disso se aplica. Para nós é como trazer connosco o fantástico saco do Sport Billy. Pequeno, portátil, mas que quando se abre revela as coisas mais fantásticas e uma capacidade única de transformar. Tudo em tamanho real.

Mas não estamos limitados a editar minificção (aliás, já iniciámos uma linha de não-ficção). Até porque esse encerramento é contrário ao próprio horizonte da minificção, que é sobretudo característico de um movimento de abertura, em múltiplos sentidos. O que realmente nos interessa é que os textos tenham relevância no tempo actual: textos interessantes de serem lidos hoje em língua portuguesa, mesmo que tenham sido escritos em 500 palavras, há 500 anos, a 5000 quilómetros.

Quando propomos leituras à velocidade da luz propomos condições que, tal como os óvnis, os nossos livros procuram observar: deslocarem-se no espaço e no tempo, ligarem pontos muito distantes, fazerem-no com comodidade. Mas não de leitura cómoda ou acomodada.